A vesícula biliar é um pequeno órgão em formato de pera localizado abaixo do fígado, com capacidade de armazenar entre 30 e 60 ml de bile, líquido produzido pelo fígado que auxilia na digestão de gorduras. Durante as refeições, a vesícula se contrai e libera bile no intestino delgado. Na maioria do tempo, ela funciona silenciosamente.
A colelitíase, nome técnico para pedras na vesícula, ocorre quando substâncias presentes na bile, principalmente colesterol e sais de cálcio, se solidificam e formam cálculos. Fatores de risco incluem sexo feminino (prevalência 2 a 3 vezes maior que em homens), idade acima de 40 anos, obesidade, gravidez, jejum prolongado, perda rápida de peso, diabetes e histórico familiar. Estudos epidemiológicos apontam prevalência entre 10 e 20% da população adulta em países ocidentais, sendo a maioria dos casos assintomática. No Brasil, a colelitíase é a doença cirúrgica abdominal mais comum em idosos, com cerca de 60 mil internações anuais registradas no Sistema Único de Saúde.
O ponto crítico é que pedras na vesícula podem permanecer assintomáticas por anos — e subitamente causar uma crise aguda, uma obstrução de via biliar ou uma pancreatite biliar. Quando essas complicações ocorrem, o tratamento geralmente exige cirurgia de urgência, com recuperação mais prolongada. Por isso, mesmo em casos assintomáticos, a avaliação com um cirurgião do aparelho digestivo é recomendada para discutir o melhor momento e a melhor abordagem — que são sempre individualizados.
Informação revisada pelo Dr. Eron Queiroz, CRM-DF 26024. Última atualização: abril de 2026.